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26, fevereiro de 2021

Dificuldades dos professores no Brasil exigem mudanças urgentes na educação

Dificuldades dos professores no Brasil exigem mudanças urgentes na educação

Como estão os nossos professores?

Há muitos anos, sabemos que a educação é uma das chaves para o futuro saudável e sustentável de qualquer nação.

O Brasil sempre enfrentou grandes desafios para tornar a profissão dos professores atraente financeira e intelectualmente, e a pandemia de Covid-19 não contribuiu em nada para facilitar este cenário.

Isto porque a pandemia obrigou o professor a refazer todas as aulas, passar novos exercícios, escrever apostilas, gravar em vídeo os conteúdos das disciplinas, criar canais próprios em redes sociais, mudar avaliações, fazer busca ativa de alunos e se aproximar das famílias dos estudantes.

Ufa! Muita coisa ao mesmo tempo, não é?

Este aprendizado em tempo recorde, embora tenha revolucionado nossa relação com a tecnologia, não apenas causou transtornos para os professores como também evidenciou o abismo social entre os alunos – já que nem todos possuem acesso à internet, computadores ou impressoras para estudar.

E o que nos dizem os professores sobre as mudanças que poderiam proporcionar uma melhor educação para todos os alunos?

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Professor precisa de uma equipe

No cenário atual, é impossível pensarmos no professor como um profissional de trabalho isolado.

Isso porque o nosso sistema educacional – em especial o sistema público de ensino – possui problemas e demandas complexos e multifacetados. Isso significa que nenhum profissional, sozinho, é capaz de abarcá-los.

A presença de uma equipe multidisciplinar, com a presença de um psicólogo, um assistente social e um psicopedagogo, por exemplo, já ampliaria bastante o alcance das resoluções e melhoraria os resultados.

Faria crescer ainda mais se aumentarmos o escopo do apoio psicológico para as famílias dos alunos e os próprios professores.

A equipe multidisciplinar é essencial para que se feche o círculo de atuação da escola, cumprindo assim, com a função social a ela delegada.

Não basta o professor. É preciso pensar em uma perspectiva onde a presença do psicólogo, do psicopedagogo e do assistente social também contribuirão para o enfrentamento dessas questões.

Para que este tipo de atuação se torne realidade, é necessária uma mudança de perspectiva sobre a escola.

Em vez de vermos a escola como um núcleo de aquisição de conhecimento, precisamos pensá-la como um polo de cidadania, bem-estar e integração psicossocial para todo o seu entorno.

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Salários continuam muito ruins – mas não só isso

É comum enxergarmos, no Brasil, muitos cenários onde o professor precisa de três empregos para se manter.

Impossibilitado de se dedicar a uma única escola, ao mesmo grupo de alunos, e convivendo menos com a família, o rendimento dele cai. Não tem receita mágica.

O professor interessado e que busca se aprimorar continuamente, bem como desenvolver suas competências, tende a demonstrar uma qualidade de ensino superior em sala de aula.

Mas, para isso, o profissional precisa sentir-se bem remunerado e valorizado.

Como engajar o professor que é obrigado a trabalhar 16 horas por dia para se manter?

A questão do salário não é referente apenas ao ganho do professor em si, mas tem reflexo direto nas condições de trabalho e, consequentemente, na qualidade do ensino que os alunos recebem na sala de aula.

Um plano de carreira digno dá ao professor a tranquilidade de investir tempo no seu aprimoramento profissional, e os alunos ganham com isso.

É necessário que o professor receba um salário que garanta sua subsistência e permita-o concentrar suas atenções em uma única escola, com um número menor de alunos que permita conhecê-los, compreender suas dificuldades e desafios. Assim, faz-se uma educação diferenciada, mais personalizada e humana.

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O defasamento educacional precisa ser abordado

Na mesma classe, um professor precisa educar alunos avançados e alunos que estão abaixo do básico.

Ao implementar um currículo na rede educacional é preciso levar em conta os desafios trazidos pela defasagem.

A aprovação compulsória de alunos que não estão preparados para o próximo ciclo acentua este problema.

A questão é que a defasagem educacional é, por si só, um tema complexo.

Muitos alunos que estão concluindo o ensino fundamental sem ler, escrever e operar as quatro operações tiveram interferências de fatores que vão desde a qualidade do ensino, a desestrutura familiar e, em uma escala menor, problemas de saúde física ou emocional.

Nestes cenários, é difícil imaginar como a atuação do professor, isoladamente, possa dar conta de suprir tantas demandas.

A aproximação com as famílias por parte das escolas é crucial, para que a qualidade do ensino seja incrementada também no ambiente doméstico.

Esta é apenas uma lista resumida de alguns dos principais pontos levantados por professores em uma pesquisa realizada pela Fundação Lemann em 2015. A pesquisa toda pode ser consultada aqui.

Ainda há um longo caminho a percorrer para que a educação no Brasil seja vista como prioridade pelos gestores públicos, que, em geral, não têm a sensibilidade, a percepção e a visão de um educador.

Suas propostas ficam, portanto, no meio do caminho quanto à identificação dos problemas reais e suas soluções.

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