Blog

23, janeiro de 2021

Educação no Brasil em 2021: o que esperar e como evitar a evasão?

Educação no Brasil em 2021: o que esperar e como evitar a evasão?

Para você, 2020 foi um ano perdido para a educação no Brasil?

Alguns especialistas têm dito que não. Obviamente, há uma preocupação geral com a evasão escolar, sobretudo em 2021, durante a ressaca do ano passado.

Afinal, a pandemia obrigou as escolas a pensar em soluções, como as aulas remotas emergenciais – embora saibamos que há desigualdades sociais de acesso que impedem a igualdade educacional nesse caso do uso de tecnologias nas escolas.

Veja a educação no Brasil em números

Segundo uma pesquisa Datafolha, 30% dos pais ou responsáveis sentem medo de que seus filhos desistam dos estudos diante das dificuldades impostas na pandemia.

A previsão é de que 11 milhões de alunos possam evadir da escola em 2021.

Vamos conhecer mais o cenário?

Risco de evasão escolar

Você sabia que ao menos 4,8 milhões de crianças e adolescentes em todo o Brasil não têm acesso à Internet em casa?

Isso, naturalmente, tem prejudicado o vínculo com a escola durante todo o período de isolamento social. Tudo isso, somado às dificuldades econômicas, contribuem para o abandono escolar.

De acordo com pesquisa realizada pelo Datafolha, e encomendada pela Fundação Lemann, Itaú Social e Imaginable Futures, três em cada dez pais ou responsáveis de estudantes de escolas públicas temem que os jovens desistam da escola se não conseguirem acompanhar as aulas não presenciais, que estão sendo realizadas de forma remota durante a pandemia.

Saiba como a pandemia pode sobrecarregar a escola pública

E mais: entre os que têm três ou mais estudantes em casa, esse índice chega a 38%. Os resultados fazem parte da segunda edição da pesquisa “Educação Não Presencial na Perspectiva dos Estudantes e suas Famílias”.

O risco da evasão escolar é agravado ainda pelo seguinte:

  • Aumento da falta de motivação dos estudantes para as atividades em casa – que passou de 46% para 53% na comparação entre as duas edições da pesquisa -;
  • Aumento do índice dos que percebem dificuldade na rotina das atividades em casa, que subiu de 58% para 61%. Nas famílias com três ou mais estudantes em casa, esse índice passa a ser de 67%.

Em relação ao retorno às aulas presenciais, a pesquisa demonstra que 49% dos estudantes temem não conseguir acompanhar o volume das atividades e 43% temem não ser possível acompanhar as aulas. Entre os mais pobres, é maior o medo de não conseguir acompanhar o volume das atividades (60%) e o ritmo das aulas (53%).

Covid-19 traz crise para o Brasil ao agravar desigualdades sociais

É louvável que muitas redes de ensino estejam viabilizando videoaulas por TV aberta – que tem um alcance muito grande na população -, além de custear o consumo de dados no acesso a recursos educacionais digitais via celular.

Há ainda que se atentar para o aspecto psicológico dos estudantes: o medo da contaminação pelo novo coronavírus no retorno às aulas é uma preocupação para 87% dos estudantes.

De acordo com 64% dos pais ou responsáveis, os estudantes estão ansiosos, 45% estão irritados e 37% tristes. Quanto maior é o número de estudantes em uma só casa, mais essa percepção aumenta. Nas casas com três ou mais alunos, 72% estão ansiosos, 63% irritados e 50% tristes.

Para 89% dos responsáveis pelos estudantes, o retorno às escolas deve seguir um modelo de aulas presenciais junto com as atividades em casa.

Esse retorno às aulas deve ser planejado de forma gradual, segura, e condicionada às condições epidemiológicas da região.

Como evitar a evasão escolar, segundo o Unicef

O fechamento das escolas gerou impacto negativo significativo na aprendizagem, na nutrição, uma vez que muitas crianças dependem da merenda escolar, e na segurança de crianças e adolescentes.

Para reverter esse quadro preocupante, mesmo enquanto as escolas ainda estão fisicamente fechadas, é preciso ir atrás de cada um dos alunos e tomar as medidas necessárias para que consigam retomar os estudos e seguir aprendendo.

É essa a iniciativa que propõe a Busca Ativa Escolar – estratégia lançada em 2017 e agora adaptada para situações de calamidade pública e emergências, como a pandemia da Covid-19.

O guia Busca Ativa Escolar em Crises e Emergência é fruto da parceria do Unicef com a Undime, o Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Assistência Social (Congemas) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

Além de encontrar meninas e meninos que estão fora da escola, ou em risco de abandonar os estudos, as escolas devem se preparar para receber os estudantes em segurança, o que inclui adaptações no ambiente escolar e no transporte, na ventilação das salas de aulas e no acesso à água e ao saneamento.

O Unicef indica ainda que se deve investir em práticas pedagógicas e em apoio psicossocial a educadores e profissionais para a retomada.

Previsões para a educação em 2021

Para a maioria dos especialistas em educação, 2021 dá a oportunidade para repensar a educação. Um dos benefícios será a atualização da forma como ensinamos, que ainda segue os moldes de séculos passados.

Em entrevista ao R7, Emilio Munaro, vice-presidente de Desenvolvimento Global & Comunicação do Instituto Ayrton Senna, acredita que a evolução do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) depende de investimentos na Educação, especialmente na educação pública, que recebe 80% dos estudantes do país.

Por isso, para especialistas como Munaro, e também Solange Petrosino, especialista em Educação e Diretora Acadêmica da Moderna, a abertura das escolas, seguindo todos os protocolos de saúde, deve ser prioridade em 2021.

Solange defende que o fechamento prolongado é prejudicial para crianças e adolescentes, que necessitam de interação. A tecnologia, segundo ela, pode nos ajudar a chegar a um equilíbrio.

Em meados de dezembro, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, homologou o Parecer nº 19, do Conselho Nacional de Educação (CNE), que estende até 31 de dezembro de 2021 a permissão para atividades remotas no ensino básico e superior em todo o país.

Entenda os desafios da educação básica no Brasil

De acordo com o parecer, os sistemas públicos municipais e estaduais de ensino, bem como as instituições privadas, possuem autonomia para normatizar a reorganização dos calendários e o replanejamento curricular ao longo do próximo ano.

É preciso, porém, que sejam observados alguns critérios, como assegurar formas de aprendizagem pelos estudantes e o registro detalhado das atividades não presenciais.

O parecer também flexibiliza formas de avaliação dos estudantes durante a vigência do estado de calamidade pública.

Especialistas defendem que, para a educação no Brasil evoluir em 2021, é preciso aproveitar melhor as tecnologias usadas pelas escolas.

Zelar pelo sistema educacional e acolher toda a comunidade escolar do gestor, até chegar ao aluno, depende da compreensão de que todos tiveram perdas e enfrentaram dificuldades em 2020. Uma avaliação diagnóstica passa por esse caminho.

Além disso, é preciso ainda investir em formação contínua dos professores e em um ensino mais personalizado, de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), para aproveitar ainda mais as possibilidades tecnológicas usadas pelas escolas.

O último ano não trouxe um ensino híbrido real às escolas brasileiras, mas o que alguns especialistas têm chamado de “aulas remotas emergenciais”.

Afinal, esse tipo de ensino híbrido pressupõe o uso de estratégias e ferramentas que não foram possíveis, como o uso de plataformas, o treinamento, a regulamentação da atividade e a aplicação de recursos.

Ainda hoje no Brasil, como falamos anteriormente, temos um número muito alto de crianças e adolescentes sem conexão com a internet, por exemplo. Como é possível dizer que tivemos um ensino híbrido?

Apesar das dificuldades, educadores defendem que não devemos considerar o ano de 2020 perdido, mas trabalhar com as competências aprendidas neste período, como a resiliência.

E em 2021, como você acha que será a educação no Brasil?

Envie um e-mailcontato@professorheldernogueira.com.br

Siga meus perfis
© Copyright 2020. Helder Nogueira. Todos os direitos reservados.
Desenvolvido com por Boom Marketing e Comunicação