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11, março de 2021

História do PT em 10 minutos: das origens ao golpe

História do PT em 10 minutos: das origens ao golpe

Vamos aprender um pouco sobre a história do PT desde suas origens?

O PT é um partido político do qual todos os brasileiros já ouviram falar. 

A penetração política do PT em praticamente todos os municípios brasileiros e a figura carismática de Luiz Inácio Lula da Silva tornaram o partido uma constante do debate político brasileiro nos últimos 40 anos.

Dividido entre um público que o ama ou o odeia, é difícil encontrar um brasileiro sem opinião sobre o PT e seus anos no governo federal (2002-2016). 

Mas sua história é relativamente pouco discutida, mesmo dentro dos circuitos intelectuais de esquerda. 

O PT e sua história são aquele tipo de assunto em que as paixões, tanto de um lado quanto de outro, afloram.

Início do PT

O Partido dos Trabalhadores teve sua origem em movimentos de oposição ao governo militar, especialmente entre os movimentos sindicais de metalúrgicos da região do ABC paulista, que organizaram grandes greves entre 1978 e 1980, no contexto de abertura política da ditadura militar.

A estes movimentos uniram-se militantes antigos da esquerda brasileira, entre eles ex-presos políticos e exilados que tiveram seus direitos devolvidos pela lei da anistia de 1979. 

O PT foi oficialmente fundado como partido político em uma assembleia realizada a 10 de fevereiro de 1980, e reconhecido no dia seguinte pelo Tribunal Superior de Justiça Eleitoral. 

Na assembleia, realizada no Colégio Sion, a chamada para assinar a ata de fundação era o emblema da união das diferentes famílias da esquerda: os trotskistas Mario Pedrosa e Lelia Abramo, o socialista Antonio Candido, o comunista Apolônio de Carvalho, os cristãos Paulo Freire e Plínio de Arruda Sampaio. 

Para alguns críticos, havia ali um ecletismo insustentável, de curto fôlego. Mas, para os mais entusiasmados, nascia ali o primeiro partido socialista do século XXI.

Política: o significado no dicionário e em nossas vidas

Em 1982, a eleição de Gilson Menezes para a prefeitura de Diadema marca o início da vida política do PT para além dos sindicatos. 

O partido lançou candidatos ao governo de quase todos os Estados, e militantes por toda a parte candidatavam-se a assentos nos diversos parlamentos – municipais, estaduais e federais.

Defensor do socialismo democrático, o PT foi fundamental na mobilização social conhecida como Diretas Já, que reivindicava eleições presidenciais diretas no Brasil. 

O viés anti-ditatorial, o caráter de massas e a participação das esquerdas na liderança do processo, onde se destacava o PT, mobilizou multidões, e permitiu que o partido se consolidasse na liderança da esquerda no país.

PT e o Brasil democrático

As tendências neoliberais da segunda metade da década de 1980 levaram à queda do muro de Berlim em 1989, à desagregação do socialismo na Europa Central e à crise do socialismo de bem-estar em Cuba. 

Pouco depois, em 1991, levaram ainda ao surpreendente desmantelamento da até então inexpugnável União Soviética. 

Este esfacelamento de uma identidade comunista, ou mesmo socialista, pôs os partidos de esquerda de todo o mundo em uma posição de defesa estratégica, e o PT não foi exceção. 

Embora fizesse frente ao governo de José Sarney, não era mais possível ao PT manter um posicionamento de combate amplo.

Pelo viés eleitoral, no entanto, o PT vinha colhendo bons frutos. 

Elegeu Maria Luiza Fontenelle, a primeira prefeita petista de uma grande capital (nossa amada capital, Fortaleza), e conseguiu dobrar sua participação de bancada nas eleições para a Assembleia Constituinte, elegendo 16 deputados federais e 40 deputados estaduais.

Constituinte de 1988: o povo brasileiro protagoniza a redemocratização do país

Durante a Constituinte, o PT possuiu um papel ativo e eficaz, aliado a outros partidos de esquerda como o PSB, o PCdoB e o PDT. 

Unidos, conseguiram conferir à Constituição finalmente aprovada um caráter progressista, comprometido com o Estado de Bem Estar Social e com as concepções nacional-estatistas tradicionais entre as esquerdas brasileiras.

As primeiras eleições diretas, em 1989, foram recebidas com grande ansiedade pelo povo brasileiro: as últimas eleições diretas haviam ocorrido quase 30 anos antes, quando Jânio Quadros venceu as presidenciais em 1960. 

As de 1989, marcadas por comícios grandiosos e debates entre os candidatos nas televisões, mobilizaram amplamente a sociedade.

A candidatura de Fernando Collor de Melo, neoliberal, e de Leonel Brizola, um esquerdista moderado, tinham grandes chances de ir ao segundo turno. 

A candidatura de Lula, pautada em um discurso mais radical e menos conciliador com as elites, deveria servir mais para acumular forças, divulgar o programa, provocar discussões, e divulgar o PT – e sua principal liderança – para as massas.

A surpresa veio quando Lula, amparado pela militância entusiasmada do PT, subiu nas pesquisas e tirou Brizola do segundo lugar por pouquíssimos votos, conquistando o direito de ir ao segundo turno contra Collor de Melo. 

Isso causaria uma reação em cadeia das elites midiáticas e lideranças conservadoras do Brasil, que fortaleceram a campanha de Collor e o levaram à vitória. 

A derrota, no entanto, não deixou de fortalecer a figura de Lula como uma liderança da esquerda brasileira, e do PT como o astro-rei da constelação partidária do país naquele momento. 

PT e a década de 90

A década de 1990 seria marcada por um crescimento do PT em todas as regiões – incluindo a eleição do primeiro senador do partido, Eduardo Matarazzo Suplicy, que exerceria o cargo durante 24 anos ininterruptos – mas também por um processo de acomodação. 

Os partidos de esquerda mais radical ficariam à deriva durante este processo de transformação de um partido de reformas radicais, ou mesmo de revolucionários, para um partido eleitoreiro, de gestores das administrações públicas e conciliatório ao capitalismo. Isso criaria uma divisão na esquerda brasileira, e uma rachadura dentro do partido: o PCO seria expulso em 1990, e a Convergência socialista, em 1992.

Em 1994 e 1998, o PT perderia as eleições presidenciais para o PSDB de Fernando Henrique Cardoso. Mas Lula recebera, em 1994, um pouco mais de 17 milhões de votos, 27% dos votos válidos. Neste ano, o Partido elegeu 4 senadores, 50 deputados federais e 92 deputados estaduais, além de 2 governadores, no Distrito Federal e no Espírito Santo. 

Nas municipais de 1996, o PT venceria em 111 cidades, confirmando-se como partido hegemônico em Porto Alegre, ganhando a prefeitura de Belém, além de aparecer com candidatos fortes na maior parte dos centros urbanos brasileiros. 

Em 1998, além de Lula ter recebido agora 31,7% dos votos válidos, houve resultados consistentes em uma série de outras posições, como as vitórias para os governos do Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Acre. Elegeram-se ainda 3 senadores, 59 deputados federais e 90 estaduais.

Durante este processo de crescimento, o PT sofreu uma série de metamorfoses: de partido de militantes, tornou-se um partido de funcionários; cedeu o protagonismo dos metalúrgicos à classe média de função pública; dos compromissos com os movimentos sociais, cedeu aos compromissos eleitorais; do amadorismo romântico idealista, tornou-se um partido profissional pragmático.

Eleição de Lula

O PT preparou-se profissionalmente para a triunfante campanha de 2002. 

Na condição de grande partido que já era, arrecadou finanças consideráveis e moderou o discurso político, um processo que já vinha se desdobrando desde a campanha de 1994, mas que alcançaria, com a Carta aos Brasileiros, um novo patamar.

O partido articulou também uma assessoria de marketing que despiria Lula de quaisquer vestígios que o pudessem assimilar a uma liderança radical.

Quando confirmada a vitória, houve grande euforia por parte da esquerda, e o PT conquistou maioria absoluta em todas as casas do governo. 

Essa maioria não garantiu, no entanto, que grandes mudanças fossem propostas. Parecia que o PT tinha assumido o poder sem um programa e sem propostas concretas que reformassem o país. 

Prevalecia, na maioria das áreas, uma perspectiva de gestão. Na saúde e na educação, setores considerados prioritários pela tradição esquerdista, não houve nenhuma iniciativa importante, decepcionando expectativas e esperanças. 

A base política no Congresso era assegurada por uma estranha aliança com partidos fisiológicos ou francamente conservadores (PTB, PL e PP).

Muito timidamente no início, e com mais agressividade em seguida, Lula e o PT passariam a ser acusados de traição por setores mais radicais, e também por políticos como Leonel Brizola, que não se conformavam com o abandono do programa e das tradições nacional-estatistas, compartilhadas em campanhas anteriores.

A partir de 2005, o governo seria engolfado por escândalos de corrupção em série, boa parte deles ampliados por uma mídia de oposição que usava a bandeira de uma política ética para expor as contradições do governo petista. 

O escândalo do mensalão, por exemplo, referia-se à hoje corriqueira prática de comprar apoio de outras bancadas na Câmara ou no Congresso. 

O PT e Lula desgastaram-se enormemente, de forma que uma reeleição em 2006 era vista como uma impossibilidade. Mas todos sabemos que não foi o que aconteceu, né?

O partido se manteve no Executivo até 2016, quando a ex-presidente Dilma Rousseff sofreu um golpe de estado e foi covardemente impedida de concluir o seu segundo mandato. 

Muitos falam em impeachment, mas a palavra certa é: golpe. E a história não perdoará os traidores do partido e do próprio País.

Independentemente dos rumos que o partido tomou, o PT segue sendo um partido de referências, com assentos nas bancadas das Câmaras Municipais e Federais, das Assembleias Estaduais e do Senado Federal. 

Além disso, ninguém nunca poderá questionar a história de luta percorrida pelo partido desde a sua criação até hoje.

Qual é o político do PT na ativa hoje que você admira?

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